
A indústria da canábis medicinal ainda enfrenta alguns desafios importantes, sobretudo quando falamos da pouca diversidade nos tipos químicos da planta e do controlo de qualidade. O que acontece muitas vezes é que se usam só alguns quimiotipos (ou seja, tipos químicos da canábis), o que acaba por limitar as opções de tratamento disponíveis para os doentes. A canábis tem vários compostos - como os canabinóides e os terpenos - que têm efeitos terapêuticos diferentes, mas, na prática, continuam a ser usadas principalmente variedades com muito THC e pouco ou nenhum CBD, que são mais associadas ao uso recreativo. Isso reduz bastante a utilidade da planta para fins médicos.
Outra coisa que é mesmo essencial é não misturar canábis medicinal com canábis recreativa. A canábis medicinal tem de ser pensada para tratar doenças específicas - como dor crónica, epilepsia ou ansiedade - e por isso precisa de ser cultivada e processada com muito mais rigor. Tem de cumprir padrões de qualidade bem definidos. Já a canábis recreativa é escolhida mais pelos efeitos psicoativos, sobretudo devido ao THC, e não exige esse mesmo nível de exigência.
O controlo de qualidade da canábis medicinal tem de ser mesmo apertado. É preciso fazer testes laboratoriais para garantir que o perfil de canabinóides e terpenos está certo e, ao mesmo tempo, confirmar que a planta não tem contaminantes como pesticidas, fungos ou metais pesados. Também é fundamental garantir a rastreabilidade - ou seja, saber exatamente de onde vem a planta e como foi produzida.
No fundo, o que defendo é que a canábis medicinal tem de oferecer mais diversidade química para conseguir responder às diferentes necessidades de quem precisa dela como tratamento. E que deve ser tratada com um cuidado e rigor muito superiores ao da canábis recreativa, para garantir que os produtos são seguros, eficazes e fiáveis - e que os pacientes não correm riscos desnecessários ao usar algo que deveria ser terapêutico.
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